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Oh sorte!

  • Foto do escritor: Duana Lipa
    Duana Lipa
  • 10 de out. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 2 dias


A possibilidade de conversar com o mundo do seu universo particular é fascinante, entreanto, diminui dia após dia a tal "bateria social". Ficamos cada dia mais seletivos no trato com pessoas, conhecer gente nova então, parece um martílio.


Conhecemos teclados, emojis, reações. Somos condicionados a adicionar ou deletar pessoas num clique, como fazemos com arquivos. É a geração do relacionamento líquido, como definiu Bauman. Vou além, assisto relacionamentos voláteis. São os que acham desnecessário a demonstração de afeto, sentimentos, carinho. Valorizam o imediato, o prazer e a recompensa que você oferece agora, acabou segue a vida tentando não deixar saudade.


É necessário impor que a mulher goza também, se não for assim, é só ejaculação sem usar as próprias mãos. Na verdade o sexo para alguns homens desde sempre foi isso, desde a Grécia Antiga já existia o homoerotismo que atualizado é a brotheragem.


Discordo quando afirma-se que somos uma geração assexuada, porém concordo que não nos relacionamos, que não há mais o interesse na troca. Há sim um fastfood de prazer ou do que se imagina dele. Chegou, despiu, beijou (nem sempre), oral (raramente), penetrou, ejaculou. De repende alguém solta: "E aí amor já achou um motorista?"


Não há intensidade, diálogo, afeto. Somente troca de fluidos. Há que se questionar até quando uma geração suporta se relacionar sem emoção, uma troca sem envolvimento.

Troca só pela troca, parece um filme de ação sem trilha sonora, um tiroteio cenográfico sem estampidos. Só contemplação. Será que não é pela falta do "envolver-se" que esta geração se tornou tentante? Tenta-se ser feliz, ter uma vida funcional e saudável, uma vida sexual plena, amar e ser amadas, tentam-se tantas coisas sem sucesso e por fim tenta-se contra a própria vida, não para tirá-la, mas para livrar-se da dor de todas essas frustrações.


Quiçá as próximas gerações experimentem as delícias do toque sem touch. O prazer de sentir o suor, o gosto, de ouvir o gemido, da delícia de beijar ainda com o gostinho do oral bem feito, o arrepio e os espasmos do orgasmo, o revirar dos olhos quando se percorre o corpo com a língua, com os dedos. O que não é exposto, é vivido plenamente e será publicado sem chance de ser deletado das nossas melhores memórias.

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