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- Duana Lipa

- 7 de dez. de 2022
- 2 min de leitura

Eram tempos difíceis em todo planeta: pandemia do novo-coronavírus. Algo novo, insólito, invisível, não sabíamos como nos prevenir, como nos defender, como tratar. A cura ainda era um sonho. A certeza era não ter certeza alguma.
Não tinha cura, nos contaminava por vias aéreas (olhos, nariz, saliva), o vírus sobrevive no ar por algum tempo. É decretado o lockdown, afinal reduzindo a circulação de pessoas nas ruas, talvez diminuísse também a chance de contaminação. Presenciamos mais uma vez o apartheid social em que vivemos, onde a elite seguia seu isolamento sendo servida pela plebe da periferia, seja por meios dos entregadores ou pelas diaristas que seguiam limpando e servindo.
Famílias se conheceram na pandemia, pais conheceram filhos e vice-versa. O discurso de amor e valorização da família tomou força. Afinal quem imaginou em algum momento da vida conviver 24h diárias em casa? O contato com o mundo era via telas, nunca se imaginou estar tão conectado! Meets, chats, chamadas de vídeo, comemorações virtuais. Demos nosso jeito de estarmos em contato com o outro, mesmo que sem poder tocar.
Casamentos aconteceram e foram desfeitos, conviver não é nada fácil. Os solteiros convictos e afins acostumados a sair para um flerte sem compromisso, se viram sem alternativa que não fossem os aplicativos de relacionamento. O que em algum momento criticamos tanto e incentivamos as novas gerações a saírem e encontrarem pessoas de carne e osso, agora a nossa realidade nos empurrava em todo tempo para o virtual. Pessoas, corpos, vozes tudo era virtual e o pior, nós gostávamos, porque nos ajudava a sair da rotina de alguma forma. Falar com alguém que poderia estar muito perto ou muito longe, entretanto estava ao alcance dos seus dedos.
Em meio ao caos, a morte era um vulto constante, todas as vezes que era necessário ir à rua, vivíamos pulsantes pela vida. Era uma busca pelo contato, uma vez que, esse momentaneamente estava proibido. Imoral, ilegal e não recomendável a troca de fluidos corporais, afinal nesses fluidos poderia vir junto do tão temido COVID-19.
Mais uma vez percebemos como o proibido nos excita. Entender que aquilo pode colocar em risco tantas coisas e isso é extremamente excitante.
A partir dessa experiência tão caótica, todas as idades conheceram e muitos aderiram ao Sexting, que nada mais é que o envio/troca de conteúdo erótico através das redes sociais. Esta é a definição comum, porém eu diria que é o exercício do imaginário. Afinal muitas vezes o que excita de verdade é imaginar o frisson provocado no outro (a) através da entonação da voz, do efeito do conteúdo enviado ou mesmo da interpretação da mensagem de texto.
Os que não se adaptaram criticam pela ausência de contato físico e os que aderiram o fizeram justamente por isso. O não envolvimento físico, o flerte visual, a câmera ligada onde o outro é seu naquele momento. A verdade é que precisa entender o que é de verdade a libido para desejar ou ser desejado no mundo virtual, é certo que, em muitos casos é só uma inspiração para a masturbação tão somente, o que não é algo simples, porém em outras situações é desejo pelo outro (a) de fato.



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