Não aceito menos
- Duana Lipa

- 6 de jun. de 2022
- 3 min de leitura
Atualizado: 7 de dez. de 2022

Será que existe o ápice da libido feminina? Qual será de fato a idade da loba? Os letristas escrevem lindamente sobre esse tema, porém sempre devemos nos perguntar se de fato existe esse ápice ou se a libido deve ser cultivada dia a dia.
Hoje em dia já tem nome; sexo causal mas, há alguns anos éramos taxadas de fáceis, para não dizer os piores predicados que usavam para nos qualificar enquanto mulher que queria transar com alguém sem ter que formar com ele a tal família convencional.
A liberdade sexual feminina é um tabu até hoje para os mais descontruídos.
Era uma jovem de 19 anos, já casada e infeliz pois meu ideal de vida nunca foi viver amarrada a alguém. Esse tal de felizes para sempre nunca me coube. Sentia tesão pelos caras por um tempo, depois perdia o encanto e, pelo menos para mim, sempre achei muito normal. Porém, apesar de algumas pessoas defenderem que parceiro (a) se prende na cozinha, na minha cabeça isso só funciona se for escorada na pia suada dando umazinha esquentando mais que o fogão! Quem discorda, um dia experimenta e vai ver que é bom demais.
Minhas amigas me taxavam de vagabunda quando eu contava que dava pros caras no primeiro encontro e tudo bem. Sim, nem mesmo as mulheres conseguem entender o que é ter o domínio do seu próprio prazer. Hoje as mais jovens fazem isso de maneira explícita e ainda sofrem o mesmo preconceito. Ser dona do próprio tesão não é fácil numa sociedade tão repressora. Bem como eu nunca gostei de muita facilidade em certos assuntos, sigo pelo caminho mais difícil. Assumir que não há problema em não ter um parceiro só, em sentir mais prazer (em algumas ocasiões) na masturbação.
Ser tão jovem e tão livre era assustador para os homens, muitos pagavam de fodões e na hora H tinha nojo até de colocar a boca no meu seio que dirá um oral. Muitas vezes voltei pra casa frustrada porque o sexo no casamento era ruim e o que eu buscava na rua, era pior ainda. Eu me achava anormal, porque a minha volta ninguém reclamava de nada, somente eu.
Hoje vejo que eram só representações de uniões felizes. As que permanecem casadas eram as mais frígidas da turma, então para elas, sexo nunca fez tanta diferença. Já me tolhi muito para cumprir o papel que as pessoas esperavam que eu cumprisse. Mais de 30 anos depois posso relatar que não vale a pena. O que o outro pensa é problema do outro e não meu.
Atualmente eu não preciso de tanto filtro, não preciso mais sorrir e dizer que foi bom se não foi. Não aceito mais ser mal comida, mal tocada, mal chupada, se for para me tirar de casa para transar tem que ser gostoso, não aceito menos. Entender que o sexo não começa na cama, mas no diálogo, na verdade creio que a mulher é conquistada pela inteligência, afinal até a que vocês julgam ser a mais "burra" é muito mais sagaz que aqueles que se acham muito espertos. Elas sabem quando estão sendo preteridas e sabem como fazer para sair desse ciclo de desprezo e, se não o fazem, é por medo do julgamento dos outros, o que muitas estão perdendo cada dia mais. Está chegando ao fim a era das "Marias Bruacas"!
Ilustração: Freepik



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