Ritual do orgasmo
- Duana Lipa

- 30 de nov. de 2023
- 2 min de leitura

Pessoas conversando com dezenas de usuários ao mesmo tempo, sem se perder no assunto, com cada um, uma conversa diferente, entretanto ao seu redor somente o móvel de cabeceira, a TV ligada para disfarçar a solidão do quarto desarrumado e a meia luz. Estirada sobre a cama ela vislumbra um universo de desejos sem sair do seu lugar.
A libido hoje é saciada com uma solidão quase devocional, gozar para algumas pessoas é um ritual metódico. Acessam a uma sexshop virtual, selecionam seus sexytoys preferidos, pagam online e recebem pelo motoboy. De posse dos seus novos brinquedos conectam-se a uma plataforma de conteúdo adulto ou a uma webcam e saciam-se sozinhos (as) ou acompanhados (as) de alguém que está do outro lado da tela.
Estimulam seus olhos, ouvidos, suas mentes e saciam seus desejos, mesmo que de maneira incompleta, quase que mecanicamente. O corpo pede um toque, o cheiro, o gosto, o suor de outro corpo, mas ela se dá por satisfeita, afinal amanhã é outro dia e relacionamento dá muito trabalho, melhor sozinha.
Fazendo assim, acostuma-se a um prazer raso, solitário. Ainda começa a exigir prerrogativas para um possível parceiro (a) que são quase inalcançáveis e, de maneira imperceptível, encastela-se.
Sugador de clitóris,vibradores giratórios, simuladores de vagina, óleos afrodisíacos tudo isso é delicioso para apimentar uma relação mútua, porém não existe prazer maior que sentir o pulsar de um clitóris na ponta da língua ou o latejar da glande nos lábios, o som dos gemidos de prazer que vêm com o orgasmo são sons insubstituíveis.
Certo é que aquele que conhece seu próprio gozo e a maneira como chegar lá, fará com que dificilmente ela sairá de uma relação insatisfeita. Contudo não se prive do toque, de dar e receber prazer através de alguém. É preciso fazer algo por nós mesmas nesse tempo de hiperconectividade: Permitir-se!
Imagem da internet.



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