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O poder da língua

  • Foto do escritor: Duana Lipa
    Duana Lipa
  • 3 de abr. de 2020
  • 2 min de leitura

Atualizado: 5 de abr. de 2020



Ano bem complicado esse que terminou. Pessoas usaram do seu poder de fala, que agora com as mídias sociais está bem mais ampliado, para ofender, criticar, acusar, enfim para expressarem sua “opinião”, usando e muitas vezes prevaricando da sua liberdade de expressão. Tudo isso muito mais no campo da escrita o Twitter, está recheado de hastags que visam levantar discussões, em alguns casos, que privilegiam apenas um ponto de vista, desprezando o direito que temos de pensar e opinar sobre qualquer assunto de forma diversa.


E a fala? Também muito mal usada nesses dias odiosos. Palavras vindas de pessoas em quem depositamos confiança, confidentes, amigos, nos frustraram tantas vezes defendendo ideias impensáveis até bem pouco tempo, porém agora encontram força em uma camada da sociedade dita organizada que caminha para um caos eminente. A língua um órgão tão pequeno com um poder tão grande. Uma palavra mal colocada pode dizimar ou erguer países.


Que uso fazemos da nossa língua quando não estamos reverberando nossas ideias, defendendo nosso ponto de vista? A biologia vai nos afirmar que a língua possui duas funções: sensorial e muscular. Vamos então viajar no poder sensorial da língua, para além de experimentações alimentares, experimentaremos os prazeres proporcionados por esse órgão.


Beijos precisam da língua para nos fazer apaixonar pelo nosso par, creio que ao invés de flechas o cupido bem que poderiam acertar nos apaixonados línguas, já cantadas na música do Cazuza quando cita nos seus versos os “segredos de liquidificador”, que nada mais são que aquele carinho da língua no ouvido nas noites mais quentes a dois.


Uma pesquisa da Universidade de Chicago, nos EUA, realizada pelo seu Centro de Pesquisa de Opinião em maio de 2018 revelou que 23% dos entrevistados está há 12 meses sem fazer sexo, esse número dobrou desde a última pesquisa há dez anos. O que será isso se não o mau uso da língua? Usamos a língua para falar, degustar, mas não para acariciar nosso(a) parceiro(a). Só quem já recebeu carícias de uma língua bem desenvolta pode descrever, ou não, a sensação de relaxamento e prazer que a mesma proporciona. Entretanto estamos diante de uma geração que sente prazer quando liga a câmera do celular, seu prazer está muitas vezes, diretamente ligado a exposição dos mesmos, expor o parceiro, o tamanho do órgão sexual, o lugar onde pratica o sexo, o que nos parece é que o prazer está somente nos olhos e não mais no toque.


Desliguem suas câmeras e conectem-se com o outro através do toque suave no corpo do seu parceiro, lembre-se ele (a) é seu (a) parceiro e não seu (a) oponente. Mamilos, costas, cintura, braços, coxas, pés, panturrilha, clitóris, glande, explorem esses corpos, façam uso do poder da língua com toda permissão para prevaricar desse poder. O mundo precisa de mais gente tendo orgasmos, do que gente com engajamento orgânico, mais gente tendo e dando prazer que discutindo tão somente o “sexo dos anjos”.


O acesso às tecnologias sempre serão excepcionais ao desenvolvimento da sociedade, contudo jamais substituirá a magia da troca de olhares, do cheiro e do toque entre as pessoas.


 
 
 

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